O que é Giclée? História, Definição e Valor na Impressão Fine Art

Giclée é uma daquelas expressões que atingiu o estatuto de celebridade no mundo da arte, foi permutada por outras mais modernas e hoje, quais calças à boca-de-sino recuperadas para a pista de dança, está de volta em grande estilo — e com mais relevância técnica do que nunca.

Mas, afinal, o que é Giclée? Será apenas um nome afrancesado para cobrar mais por uma impressão? Na Pigmento Coolectivo, acreditamos que a nomenclatura importa menos do que a ciência por trás dela. Neste artigo, desmistificamos a história, a técnica e a razão pela qual este termo define o padrão de qualidade museológica e arquivística.

A palavra Giclée (leia-se *\jiclê* e nunca *\guiclé* ou *\glicê*) deriva do verbo francês “gicler”, que significa “esguichar” ou “pulverizar”. Embora alguns teóricos defendam que deriva de “gicleur” (bocal ou jacto), a intenção é clara: ilustrar um processo de impressão onde gotículas microscópicas de tinta são disparadas sobre o papel.

O termo foi cunhado em 1991 — já lá vão mais de três décadas — pelo Master Printer Jack Duganne (1942-2020). A sua intenção era estratégica: Duganne precisava de um termo para distinguir as impressões de arte de alta qualidade das provas comuns de design gráfico. Na altura, a impressão a jacto de tinta (inkjet) tinha uma conotação negativa, associada a impressoras de escritório de baixa resolução.

Duganne trabalhava com impressoras Iris Graphics (originalmente usadas para provas de pré-impressão) no seu estúdio na Califórnia. Ao baptizar o processo de “Giclée”, elevou a percepção do produto final, criando uma categoria nova que hoje é norma em galerias de todo o mundo.

Hoje, responder à pergunta “o que é Giclée” exige rigor técnico. Uma impressão não se torna um Giclée apenas por ser impressa a jacto de tinta.

Para merecer esta designação, a impressão deve cumprir obrigatoriamente três critérios simultâneos:

1. Resolução e Tecnologia de Impressão

Não se trata de impressoras domésticas. Falamos de equipamentos de grande formato (como as séries profissionais da Canon, Epson ou HP) que utilizam cabeças de impressão de alta precisão. Na Pigmento, por exemplo, utilizamos equipamentos com tecnologia de 12 canais e cabeças com 18.432 injectores (nozzles), capazes de depositar gotículas de tinta com precisão micrométrica, garantindo uma gradação tonal contínua e sem “retícula” visível. Temos (a 23/11 de 2025) 4 máquinas baseadas nesta tecnologia à disposição d@s noss@s clientes.

2. Tintas de Pigmento Mineral

Este é o factor crítico. Um Giclée nunca é impresso com tintas de corante (dye), que desbotam rapidamente. Utilizamos tintas de pigmento mineral encapsulado (como as Canon Lucia PRO). Estas tintas oferecem:

  • Estabilidade química soberba;
  • Resistência à luz e ao ozono;
  • Uma gama de cores (gamut) capaz de reproduzir matizes impossíveis na impressão offset tradicional.

3. Papel de Qualidade de Arquivo (Fine Art)

A tinta deve ancorar num suporte nobre. O papel deve ser livre de ácido (acid-free), com pH neutro e, idealmente, composto por fibras de algodão ou alfa-celulose de alta pureza. Isto garante que o papel não amarelece nem se torna quebradiço com o passar das décadas.

Resumo: Se falhar num destes pontos — tinta, máquina ou papel — não é um Giclée. É apenas um poster.

Giclée print para Emma Lopes - Narwhal em Hahnemühle Photo Rag 308
Detalhe de “NARWHAL” por Emma Lopes em Hahnemühle Photo Rag 308g/m2 pela Pigmento Coolectivo #bypigmentocoolectivo

A permanência da imagem é a maior preocupação de coleccionadores e curadores. As estimativas de envelhecimento, baseadas em testes acelerados de laboratórios independentes (como o Wilhelm Imaging Research), indicam que uma impressão Giclée bem executada apresenta uma resistência ao desvanecimento superior a:

  • 200 anos em armazenamento escuro (álbuns ou caixas de arquivo);
  • 80 a 100 anos em exposição sob vidro (com protecção UV), em condições normais de museu.

Isto coloca o Giclée ao mesmo nível — e muitas vezes acima — de processos tradicionais como a serigrafia ou a litografia em termos de longevidade.

Quando nos pergunta o que é Giclée no contexto do nosso estúdio, a resposta vai além da máquina. As nossas impressões são criadas através de um fluxo de trabalho (workflow) gerido colorimetricamente:

  1. Tecnologia: Usamos impressoras Canon PRO com sistema de 12 tintas, incluindo o Chroma Optimizer para uniformizar o brilho (bronzing) em papéis acetinados.
  2. Pretos Profundos: A densidade dos pretos (Dmax) que conseguimos obter confere à obra um contraste e uma tridimensionalidade inigualáveis.
  3. Perfilagem: Criamos perfis de cor personalizados para cada binómio papel/impressora, garantindo que o que o artista vê no ecrã calibrado é o que obtém no papel.

O Giclée democratizou o mercado da arte. Permitiu que ilustradores, fotógrafos e pintores criassem edições limitadas de qualidade museológica, sem os custos proibitivos das tiragens litográficas industriais.

Agora que sabe o que é Giclée, o próximo passo é sentir a textura e ver a cor com os seus próprios olhos.

Está pronto para elevar o nível das suas reproduções? Conheça os nossos papéis Fine Art disponíveis para Giclée

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