Que nome devo chamar às minhas impressões?

Ao longo destes breves anos de impressões, povoados com muitas conversas com quem imprime e com quem pede para imprimir, posso dizer que uma das perguntas que mais ouvi foi: e como é que eu chamo às impressões?

Bom, a verdade é que quando apenas se imprime para “consumo próprio”, a questão pouco ou nada importa. Contudo, quando se colocam as impressões à venda, quer seja online como é o caso da Pigmento, quer seja numa exposição, loja ou feira, essa poderá ser uma das questões que potenciais clientes colocarão.

Pigment Ink Print in Archival Paper, qualquer coisa como, Impressão com Tinta Pigmentada em Papel de Arquivo, será muito provavelmente o termo mais preciso, já que inclui toda a informação que alguém que não pertença ao meio pode recolher, no sentido entender o que tem à sua frente.

As variantes podem assumir a forma de “Tinta pigmentada em Cotton Rag” (apesar de se tratar efectivamente de “tecido de algodão”, raramente verá essa expressão escrita em português. Podem ser também “Tinta pigmentada em Rag“, cujo termo anglo-saxónico correspondente é, claro está, “Pigment Ink on Rag“. Contudo, estes termos são muito específicos e só devem ser usados se o papel for realmente de algodão! Refiro este ponto em particular porque nem todos os papéis com características de arquivo são de algodão e nem todos os papéis que à primeira vista são de algodão. Já agora, só porque um papel é de algodão, não é obrigatoriamente extraordinário, e um papel que não seja de algodão também não tem que ser “fraco”.

Desta forma, o termo mais genérico, referido inicialmente, é provavelmente o melhor! Descreve as tintas como sendo à base de pigmentos estáveis e não de corantes. Apresenta um substrato de papel com características de arquivo, isto supondo que se usou papel à base de fibras, livre de ácidos, que também pode ser tamponado (com carbonato de cálcio – CaCO3 – adicionado durante o processo de fabrico).

Estes termos promovem imediatamente uma sensação de longevidade e estabilidade que, para as pessoas que compram as impressões, se traduz num elevado grau de confiança relativamente ao que estão a comprar. Compram algo que vai realmente durar! Seja porque o querem oferecer como presente, seja porque o querem guardar para si próprios.

Pessoalmente iniciei o processo de impressão e venda das minhas fotografias há cerca de 6 anos e, porque sempre usei papéis de elevadíssima qualidade (sobretudo Hahnemühle), informei todo e qualquer cliente que a garantia seria praticamente vitalícia. É este tipo de garantia que gostamos de oferecer enquanto fotógrafos e impressores e de receber enquanto compradores.

Mas voltando às impressões propriamente ditas, muitas vezes são também definidas como Impressões Giclée (en. Giclée Prints), Impressões Inkjet (en. Inkjet Prints) ou mesmo, só e apenas, denominadas por Impressões Fotográficas (en. Photo Prints). Estes termos não são grandemente recomendados e geralmente não os aconselho, embora o termo ou expressão Impressão Giclée seja de uso corrente, particularmente no mundo da reprodução artística. O termo Giclée Print deriva da palavra “Giclée“, do francês, que significa “salpico“, e foi cunhada pelo impressor Jack Duganne em 1991, como termo que descreve a forma como a tinta é colocada no papel por meio de uma impressora a jacto de tinta (inkjet).

A razão porque Giclée pode não ser uma palavra indicada para usar todos os momentos e lugares, prende-se sobretudo com o facto de a palavra, no calão francês, poder estar, por exemplo, relacionada com a ejaculação, algo que Duganne certamente não sabia. Quero acreditar!

Impressão a jacto de tinta é o termo mais básico, menos carregado de glamour e pouco usado, contudo, é tecnicamente preciso. A verdade é que não se usa tantas vezes porque há alguma associação negativa com a impressão a jato de tinta nos círculos mais desinformados. Muita gente ouve a expressão “impressão a jacto de tinta” e pensa nas impressoras baratas que ainda hoje existem em tantas casas por esse mundo fora e que, apresentam uma tendência elevada para desaparecerem ou serem substituídas por “fantásticas” impressoras laser. Nada mais longe da verdade! Claro que a expressão não nos informa acerca de que tipo de impressão a jacto de tinta se trata. Poderia ser uma impressão com tintas baseadas em corantes, num papel crivado de ácido e, portanto, resultando numa impressão propensa a desbotamento ou amarelecimento em poucos meses. Impressão fotográfica é provavelmente um termo demasiado amplo e, porque não, também possui uma implicação histórica de uma impressão (ampliação) baseada em químicos, feita com papel fotossensível usando um processo baseado em exposição fotográfica, como as tradicionais impressões de câmara escura ou, nas alternativas mais modernas, feitas com máquinas adequadas (Lightjet e Lambda). Estas impressões são também denominadas por impressões “C-Type” (C de “Chromagenic”).

Em resumo, o primeiro termo (Pigment Ink Print in Archival Paper) será provavelmente o mais adequado, contudo, chame o que quiser às suas impressões. Nunca se esqueça, contudo, de que deve saber responder às questões que um qualquer cliente lhe possa vir a colocar.

Crie sempre boas impressões! (pun intended)