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A alfa-celulose e o algodão na impressão fineart

O papel de algodão (frequentemente designado por Cotton Rag) é o herdeiro directo da tradição dos mestres papeleiros. Tecnicamente, a sua superioridade não reside na “beleza”, mas sim na morfologia da fibra.

A química da pureza

Ao contrário das árvores, o algodão não é uma planta lenhosa. A fibra que envolve a semente — o linter — é composta por aproximadamente 99% de celulose pura.

  • A vantagem estrutural: Enquanto a madeira exige processos químicos agressivos para separar a celulose da lignina, o algodão nasce “pronto”. Isto significa que a fibra não sofre o stress oxidativo de tratamentos com cloro ou sulfitos, mantendo a sua integridade estrutural intacta por séculos.
  • Mecanismo de união: As fibras de algodão são naturalmente longas e tubulares. Durante a formação da folha, estas fibras entrelaçam-se de forma física e química (através de pontes de hidrogénio) de forma muito mais robusta do que as fibras curtas da madeira.

No atelier…

O algodão tem uma “mão” (sensação táctil) única. É um papel mais macio, que absorve o impacto da luz de forma difusa. O seu toque é perfeitamente distinto dos demais substratos.

  • Vantagem: É o material mais estável para uma conservação a longo prazo. É menos propenso a tornar-se quebradiço com o tempo.
  • Desvantagem: Pela sua natureza porosa, pode exigir camadas de proteção (coatings) mais densas para evitar que os pretos percam profundidade (o fenómeno do “afundamento” da tinta).

Existe um preconceito comum de que o papel de “madeira” é inferior ao papel de algodão. Puro equívoco. O papel de alfa-celulose de qualidade fineart é uma verdadeira maravilha da bioengenharia.

O rigor da extração

O termo “Alfa” não é um termo do marketing. É uma classificação química verdadeira e ilustrativa das origens e características desta celulose. A celulose, saiba-se, é dividida em Alfa, Beta e Gama. Estes tipos de celulose, têm origens, características e aplicações muitos distintas entre si. Existem ainda formas quimicamente modificadas que resultam em mais formas derivadas da celulose (MCC, HEC, HPC, CMC, etc.).

  • Alfa-celulose: é a fração polimérica da celulose de cadeia mais longa e insolúvel.
  • O processo de fabricação: para criar este papel, a polpa de madeira é submetida a um processo de purificação extrema para remover 100% da lignina (o componente que oxida e torna o papel amarelo ao longo do tempo). O resultado é uma fibra de celulose pura que, do ponto de vista químico, é virtualmente idêntica à do algodão.

A performance técnica

  • Vantagem: as fibras de alfa-celulose são geralmente mais curtas e podem ser compactadas com maior densidade. Isto resulta numa superfície mais lisa e rígida, excelente para papéis glossy ou baritados por exemplo, mas com muitas outra utilizações e com representantes ezxcelentes nos papéis mate. Se procura nitidez extrema e micro-contraste (os chamados “detalhes de agulha”), a alfa-celulose oferece uma base mecânica mais plana e previsível.
  • Desvantagem: por ser uma fibra mais curta, tem menos “memória elástica”. É mais teimoso na sua “postura”. Se o papel for dobrado acidentalmente, a fibra quebra em vez de flectir, criando vincos brancos permanentes na camada de tinta.

Ambos os papéis, quando fabricados para o mercado fineart, cumprem a norma ISO 9706, que garante requisitos de permanência. No entanto, a forma como atingem essa estabilidade é diferente para um e para o outro:

  1. Tamponamento alcalino (buffering): como a madeira é naturalmente mais ácida, os papéis de alfa-celulose são quase sempre enriquecidos com carbonato de cálcio (CaCO3). Este age como um “escudo”, neutralizando os ácidos atmosféricos que poderiam degradar o papel e, consequentemente, a imagem nele impressa.
  2. A questão dos OBA (Optical Brightening Agents): aqui reside o perigo para ambos os substratos! Muitos papéis de alfa-celulose usam branqueadores óticos para parecerem “extra brancos”. Estes químicos degradam-se com a luz UV, fazendo com que o papel volte ao seu tom creme original após alguns anos. Os papéis de algodão topo de gama tendem a evitar estes agentes, oferecendo um branco natural e eterno.
algodao alfaCelulose 2 pigmento

Não existe uma resposta definitiva, mas sim uma aplicação correta:

Escolha alfa-celulose se: a precisão técnica é absoluta. Se imprime fotografia digital de alta resolução, arquitetura ou macros onde cada pixel conta. A sua rigidez e superfície lisa facilitam muitas vezes a passagem em impressoras de grande formato sem problemas de head strikes (contacto da cabeça de impressão com o papel que gera calafrios neste impressor que nos escreve :) ). O papel de alfa-celulose tem, regra geral, muito boa “linha”. É excelente para bons detalhes finos.

Escolha algodão se: O seu trabalho é muito orgânico, artístico, ou se a textura e a herança histórica do suporte fazem parte da mensagem da obra. É o papel para quem quer que a gravura dure 200 anos numa moldura de museu.

Pode sempre optar por um papel que, por estar em cima do muro, é dos papéis mais requisitados pel@s noss@s clientes; falamos do PC Velvet 270, claro.

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