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As intervenções sobre a impressão afectam a longevidade do papel?

O papel de base 100% algodão ou alfa-celulose é escolhido pela sua neutralidade e pureza. Quando imprimimos com tintas de pigmentos minerais, procuramos manter esse equilíbrio. No entanto, ao adicionar agentes externos, alteramos a estrutura da porosidade, o pH e a própria resposta mecânica do papel.

A chave da longevidade reside na compatibilidade entre a “pele” (a intervenção) e o “corpo” (o papel). Se os materiais forem incompatíveis, o processo de oxidação — que discutimos no artigo anterior — pode ser acelerado de forma muito intensa.

As tintas acrílicas profissionais são, por norma, quimicamente estáveis após a secagem. No entanto, a sua aplicação sobre papel fineart introduz desafios físicos significativos:

  • Diferencial de higroscopia: O papel de algodão é altamente sensível à humidade, expandindo e contraindo conforme o ambiente. O acrílico, após secar, forma uma película plástica impermeável. Esta diferença cria tensões mecânicas que podem levar ao empenamento (cockling) ou, em casos extremos, à delaminação da tinta.
  • Riscos de diluição: O uso de água da rede pública para diluir acrílicos pode introduzir minerais e cloro nas fibras profundas do papel, que funcionam como catalisadores de oxidação a longo prazo.

Dica de aterier: utilize apenas meios (mediums) acrílicos de arquivo e prefira água destilada ou desionizada se precisar de diluir as cores.

A tinta da china é venerada pela sua permanência, que detém graças ao pigmento de carbono. Contudo, o perigoso segredo desta tin ta reside no aglutinante que, muitas vezes é a goma-laca (shellac).

A goma-laca é naturalmente ácida e tende a oxidar com o tempo, tornando-se quebradiça e escurecendo. Numa intervenção densa, esta acidez pode migrar para o papel circundante. Embora não seja tão destrutiva como outros agentes, a sua presença exige que o papel tenha uma boa reserva alcalina (carbonato de cálcio) para neutralizar esta migração ácida ao longo das décadas.

Alguns artistas utilizam lixívia (hipoclorito de sódio) para “abrir” brancos ou criar manchas de subtração. Quimicamente, isto equivale a lançar uma bomba sobre as fibras de celulose.

  • Rotura molecular: A lixívia não apenas retira a cor; ela quebra as cadeias moleculares da celulose através de uma oxidação violenta. O resultado imediato é estético, mas o resultado a longo prazo é a fragilização extrema do papel.
  • Resíduos activos: Se não for neutralizada, a lixívia continua a reagir. Uma zona “branqueada” hoje tornar-se-á, quase invariavelmente, uma zona amarelada, quebradiça e com furos (perda de matéria) daqui a alguns anos.

Regra de ouro: Se a sua técnica envolve lixívia, a neutralização com hipossulfito de sódio (comercialmente conhecido por tiossulfato de Sódio) e lavagens sucessivas com água pura são passos obrigatórios, e não opcionais.

Muitas tintas de gama baixa ou de cariz escolar contêm metais pesados (ferro, cobre) que não são perceptíveis à vista. Estes metais actuam como catalisadores, acelerando a formação de radicais livres quando expostos à luz e humidade. Isto significa que a sua intervenção pode estar a “cozinhar” o papel de arquivo silenciosamente, anulando os benefícios de um suporte de alta qualidade.

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Para que a sua obra única sobreviva ao teste do tempo, adote estes procedimentos:

  1. Materiais de nível profissional: use apenas tintas com classificação de resistência à luz ASTM I ou II.
  2. Preparação do suporte: em intervenções aquosas pesadas, considere fixar o papel previamente para minimizar deformações.
  3. Neutralização: sempre que usar processos corrosivos (lixívia, por exemplo), garanta que o pH final da zona intervencionada regressa à neutralidade.
  4. Verniz de proteção final: um verniz de qualidade (spray) adequado para fineart, ajuda a selar a intervenção, protegendo tanto o pigmento da impressão como a tinta adicionada contra poluentes atmosféricos e radiação UV.

1. Posso aplicar aguarela sobre uma impressão pigmentada?

Sim. As impressões feitas na Pigmento utilizam tintas de pigmento mineral que, após a cura completa (24-48h), são resistentes à água. Pode pintar por cima sem receio de que a imagem original “borre”.

2. A aplicação de acrílico protege o papel?

Parcialmente, diríamos. O acrílico cria uma barreira contra o oxigénio, mas se o papel for atacado por trás (pelo suporte da moldura) ou se a tinta contiver impurezas, o dano pode ocorrer de dentro para fora.

3. O que acontece se eu não neutralizar a lixívia no papel?

O papel passará por um processo de “queimadura química”. A zona afetada perderá flexibilidade, tornar-se-á castanha e acabará por desfazer-se ao toque, comprometendo a integridade física de toda a obra.

4. Existe alguma tinta da china que seja “mais segura”?

Sim, procure tintas da china que utilizem aglutinantes sintéticos neutros ou gomas naturais menos ácidas, e que sejam especificamente rotuladas como “pH neutro” ou “pigmentadas”. Não é tão fácil de encontrar como seria desejável, mas é possível.

A liberdade criativa não deve ser limitada ou asfixiada pela técnica, mas deve ser informada o suficiente para que uma não seja inimiga da outra. Intervir sobre uma impressão fineart é um gesto de mestria que exige materiais à altura. Ao respeitar a química do papel, o artista garante que a sua obra única não é apenas um momento passageiro, mas um objeto que manterá a sua força visual e física para as próximas gerações.

Vai iniciar um projeto de intervenção sobre impressão? Contacte-nos para saber quais os papéis que oferecem a melhor resposta mecânica e química para a sua técnica. Muitos artistas que trabalham connosco fazem intervenção sobre impressão, de forma que temos um conhecido vasto acerca dos papéis que melhores resultados oferecem.

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