Glossy, lustre or matte?

“Papel brilhante, lustre ou mate? Qual devo escolher?” é uma das perguntas que mais frequentemente nos fazem. Seja porque a pessoa que nos contacta num imprimiu anteriormente, seja porque determinado tipo de imagem requer determinado tipo de papel.

Na Pigmento tentamos sempre responder da forma mais objectiva, mas antes de qualquer outra coisa, deve perceber que não existe “certo” e “errado” naquilo a que diz respeito ao tipo de superfície escolhida para as suas impressões e que, através de um correcto processo de impressão, qualquer tipo de papel pode resultar num excelente produto final.

Na verdade, o tipo de superfície escolhida é uma decisão muito pessoal e deve ir ao encontro dos seus objectivos técnicos e artísticos. O acabamento do papel deve tentar ser adequado ao tipo de imagem a imprimir mas, em última análise, é a sua “preferência” que assumirá o papel decisor.

Abaixo apresentamos alguns dos diferentes tipos de superfícies e deixaremos naturalmente a nossa sugestão em termos de opções para impressão. Lembramos ainda que a escolha de um papel, por exemplo para uma exposição, é um processo que deve ser guiado com calma e num espírito de experimentação sobre a adequação do papel à mensagem. “Testar” é a palavra de ordem! Uma das formas de teste que sugerimos sempre, é através da encomenda de um dos sample de amostras Pigmento que, por um preço excepcionalmente baixo, permite aos nossos clientes testar todos os papéis que temos em oferta num determinado momento.

Papel brilhante? Quase nunca é a opção mais indicada, mas tem a sua finalidade.
Impressão giclée para Vânia Colaço para a série “Music Legends” / Imprimido em PC White 270 (acabamento mate, textura suave, muito branco)

PAPEL BRILHANTE (GLOSS/GLOSSY)

Os papéis brilhantes têm superfícies muito lisas e altamente reflectivas. Consequentemente, oferecem imagens fortes devido aos seus negros extremamente marcados. A superfície de brilho pode ser propensa a riscos, de modo que estes papéis não são “ideais” para grandes manuseamentos. Os papéis revestidos com resina (RC ou resin coated) possuem uma camada plástica plana, de modo que tendem a ser ainda mais lisos e, por essa razão, ainda mais brilhantes. Os papéis à base de fibra (FB ou fibre based como o Hahnemühle Baryta FB 350) possuem uma estrutura fibrosa que nunca lhes permite alcançar o mesmo nível de suavidade e brilho. São, contudo, papéis com excelentes características de arquivamento.

Os papéis de elevado brilho apresentam ainda outra dificuldade. Devido às características que lhes emprestam o brilho, são mais difíceis de enquadrar, já que têm de estar absolutamente planos. Têm de estar tão planos que por vezes até a própria cola de montagem se pode apresentar como um problema, já que questões associadas ao chamado efeito casca-de-laranja (da relação da superfície de montagem com a cola) são muito mais notórias. Outro problema conhecido é o reflexo de fotografias montadas atrás de vidro. Alguns tipos de vidro reduzem este problema, mas nunca o anulam por completo.

Seja como for, problemas colocados no devido lugar, o papel brilhante, se correctamente montado e apresentado, permite exibir cores intensas e profundas que a grande maioria das vezes agradam sobremaneira ao observador.

Giclée print para Pedro Potier em Hahnemühle Photo Rag 308gsm (acabamento mate, suava de branco natural)

PAPEL LUSTRE / SEMI-BRILHANTE (SEMI-GLOSS / PEARL / LUSTER)

Os papéis semi-brilhantes possuem uma superfície ligeiramente reflectiva, mas são extremamente robustos e suportam muito melhor o manuseamento, já que a sua superfície permite “esconder” imperfeições resultantes de dedadas ou mesmo alguns riscos superficiais.

São papéis que também oferecem pretos muito profundos, mas que apenas apresentam ligeiros problemas associados à reflexão que são muito mais significativos nos papéis brilhantes.

Tal como no caso dos papéis brilhantes, surgem em (pelo menos) duas formas: RC (revestimento de resina) e FB (à base de fibra). Nesta categoria de papéis, contudo, os papéis RC não apresentam qualquer vantagem física. São apenas mais baratos já que não são à base de fibras.

PAPEL MATE (MATTE)

Os papéis mate são, efectivamente, papéis com pouco ou nenhum brilho e, consequentemente, sem os problemas vulgarmente associados aos papéis brilhantes e mesmo alguns semi-brilhantes. Claro que nem tudo são coisas boas e o resultado final dependerá grandemente da qualidade do papel escolhido. Os “pretos” são muitas vezes ligeiramente menos profundos nos papéis menos capazes! Papéis de excelência como os produzidos pela Hahnemühle ou pela Canson, oferecem “pretos profundos” de excelência que se aguentam muitíssimo bem em ambientes de iluminação difusa, mas “tropeçam”, por exemplo, em ambientes de exposição (ou outros) que façam uso de uma iluminação forte, dura e focada em cada obra. Mas o que está errado? O papel ou a iluminação?

É vulgarmente dito que um papel mate deixa que a imagem fale por si. Quer isto dizer que pelo facto de não haver um efeito forte de superfície, a imagem é passada “sem filtro” ao observador. Claro que papéis de estrutura fibrosa, possuem inerentemente uma textura de superfície que, apesar de não emprestarem qualquer brilho à imagem, emprestam grande profundidade e personalidade.